Câncer de Próstata

O Câncer de Próstata é uma doença que acomete 1 em cada 6 homens;

É o câncer mais comum na população masculina, ficando atrás somente dos tumores de pele (não melanoma). São fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de próstata:

  1. Envelhecimento
  2. Ser afrodescendente
  3. Histórico na família.

Trata-se de um câncer assintomático, e grande parte da população confunde ou acredita que os sintomas causados pelo crescimento ou hiperplasia benigna da próstata estejam relacionados ao câncer.

Justamente por não ter nenhum sintoma, é muito importante realizar o rastreio , isto é, pesquisar anualmente alterações em exames de sangue e exame físico (toque retal) para tentar identificar um possível câncer.

Rastreamento – indica-se anualmente para pacientes COM FATORES DE RISCO (Afrodescendentes ou história na família) após os 45 anos;

Já os paciente que NÃO APRESENTAM FATORES DE RISCO, podem iniciar o rastreamento a partir dos 50 anos de idade.

Costumo oferecer aos meus pacientes uma primeira avaliação aos 40 (conceito do PSA LINHA DE BASE – baseline) explicando as diferenças nos resultados encontrados.

Quais são os exames necessários para o rastreamento?

PSA (dosado num simples exame de sangue)
Toque Retal – exame que não leva nem um minuto e pode detectar um tumor.

Obrigatoriamente, os dois exames deverão ser feitos anualmente. Muitos questionam sobre a utilidade do ULTRASOM , que não tem NENHUMA utilidade no diagnóstico do câncer de próstata, servindo somente para avaliar o tamanho da próstata.

Quanto mais cedo o câncer de próstata é descoberto, maiores são as chances de cura deste tumor.

Para fazer o diagnóstico do câncer de próstata é necessário realizar a biópsia da próstata. Neste exame, são retirado cerca de 15-20 fragmentos da próstata através do reto. São pedaços muito pequenos, como fios de cabelo, que serão encaminhados a um médico Patologista para confirmar ou excluir a presença do câncer. Além disso, nos casos positivos, o patologista faz também uma classificação no subtipos deste tumor ( de acordo com o Score de Gleason, que nada mais é que a “nota” que o tumor recebe, relacionada a agressividade e que varia entre 6 e 10)

NOTA*** INFELIZMENTE NO BRASIL as biópsias de próstata são realizadas quase em sua totalidade através do reto (área contaminada, necessitando uso de antibióticos) . Existe uma tendência MUNDIAL a não utilizar mais este método e, nos Estados Unidos, Europa e Austrália  já utilizam com ótimo resultados a biópsia através do períneo. O estudos mostram muito melhor amostragem de áreas como ápice e zona anterior da próstata quando usamos o novo método, além de mais seguro com risco de infecção grave (sepse) próximo a zero e sem a necessidade de usar antibióticos mais fortes. Durante meu período fora do Brasil (quase 2 anos operando por cirurgia robótica na Austrália) realizei intensamente este novo método de biópsia , no entanto , tem sido muito difícil mudar a mentalidade dos grupos e hospitais, além de ter que se reinvestir alguns milhares de dólares.

Além da novidade do novo método de biópsia que conversamos anteriormente , é importante lembrar da RESSONANCIA MAGNÉTICA DE PRÓSTATA e do PET-CT COM PSMA.

A Ressonância já existe há mais tempo fora do país, mas ganhou força no Brasil talvez nos últimos 4-5 anos.  Ela “não fecha diagnóstico” de câncer de próstata , mas pode sugerir a presença de áreas suspeitas , muitas vezes orientando a biópsia das mesmas.

O principal uso da RNM se dá nos casos onde o paciente já tem uma primeira biópsia negativa para câncer e apresenta níveis ainda maiores de PSA após, uma vez que ela ajudaria a guiar a segunda biópsia.

Por outro lado mais e mais trabalhos tem surgido sugerindo que pode haver o benefício da ressonância magnética antes mesmo da primeira Biópsia. Neste caso ela auxiliaria a guiar a primeira biópsia, ajudaria a definir qual melhor método (transperineal caso a área suspeita seja ápice ou anterior) ou até mesmo ajudaria a termos uma menor taxa de diagnóstico dos casos de baixo grau.

Importantíssimo dizer que a RNM falha em cerca de 20% das vezes e que ela é muito boa para detecção dos tumores de ALTO grau – sendo assim, caso o paciente já tenha PSA francamente alterado ou toque com nódulo típico por exemplo, ele DEVERÁ ser biopsiado, mesmo que a RNM seja normal.

Mas.....o que significa PET-PSMA . ?

Esse exame sim “é uma baita novidade” . Trata-se de uma Tomografia por emissão de pósitrons (PET), feita no corpo todo e, diferente dos PETs convencionais (18FDG), este exame usa um “marcador” específico , o PSMA que quer dizer – antígeno específico da membrana da próstata.

Ele é um exame do corpo todo que fazemos quando queremos investigar a presença ou não de metástase. Seu principal uso HOJE se faz quando estamos investigando paciente que apresenta recorrência bioquímica, ou seja elevação PSA após o tratamento primário (radio ou cirurgia).

Já existe quem defenda o uso do PET PSMA no ESTADIAMENTO (falaremos mais sobre isso abaixo) do câncer de próstata (eu defendo esta idéia!!!!!) para alguns tipos específicos do tumor. Enfim, estas são as novidades no que diz respeito ao diagnóstico preciso do Câncer de Próstata.

Bom, o primeiro a fazer é manter a calma e lembrar que – a maioria dos tumores se diagnosticados precocemente , têm grandes chances de cura.

FEITO O DIAGNÓSTICO, o próximo passo é realizar o que chamamos tecnicamente de ESTADIAMENTO!

Mas o que é ESTADIAMENTO ?

Nada mais é do que realizar exames com o objetivo de saber se a doença é localizada ou se ela migrou para algum outro local (ossos , por exemplo). O estadiamento deve ser feito PARA TODOS OS PACIENTES diagnosticados com Câncer de Próstata, portanto não fique preocupado se o seu médico solicitar “exames de estadiamento” !!

Quais são estes exames de estadiamento ?

No geral, o exame mais utilizado é a CINTILOGRAFIA ÓSSEA , que é um exame que irá avaliar a presença ou não de metástase em TODOS os óssos do corpo.

A ressonância magnética multiparamétrica da próstata , caso não tenha sido solicitada anteriormente, também deve ser solicitada, pois ajudará o cirurgião a decidir quanto ele poderá preservar da região dos nervos durante a cirurgia. Como eu comentei anteriormente, para tumores Gleason 8, 9 ou 10 (mais agressivos) ou pacientes com PSA elevados (acima de 10-20) eu ofereço a realização PET-PSMA como parte do estadiamento.

Responsável Técnico: Flávio V. Ordones | CRM 134507-SP - RQE 52584 | Dr. Flávio Ordones © 2019
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